Devaneios de uma alma doentia.
Uma análise sobre a noite curitibana (e seus mistérios..)

Antes de tudo. Entrem nesse site aqui embaixo e vejam a programação do fim de semana em Curitiba.

http://www.parana-online.com.br/colunistas/195/83199/

Agora, visto isso, podemos começar.

A noite curitibana é um sucesso em questão de gente bonita e animada. O rótulo de “Cidade Ecológica” reflete nas baladas e festas espalhadas pela cidade, certo? Errado. As festas onde playboys se aglomeram em busca de um energético que custa módicos R$15,00 para misturar ao seu Whisky tão “módico” quanto não precisam de propaganda. Elas tem o seu público seleto e que bate cartão quase toda semana.

Na verdade, as baladas não tão prestigiadas assim pela elite curitibana também não precisam de propaganda. Elas também tem um público que frequenta a casa de uma maneira constante. Porém, elas não faturam tanto quanto as baladas da Avenida Batel. Assim, precisam de mais público e mais consumo. Dito isso, toda quinta-feira, as seções de entretenimento nos sites dos jornais da capital mostram os melhores “points” para a população em geral se esbaldar de cerveja e destilados.

Me interessei bastante por esse texto publicado pelo site Paraná Online, no qual temos um apanhado geral de festas e shows pela capital paranaense neste fim de semana. Desde um animado pagodinho no Celebrare Bar (também conhecido como “Uma ferida no Batel Soho”) até o “tão-combatido-jamais-vencido” Bonde do Tigrão na…. SISTEMA X! Sim, ela ainda existe.

Tecerei comentários simplesmente críticos aos detalhes do post do site. Nenhum comentário aqui será depreciativo ao estabelecimento ou a pessoa. É apenas um olhar pautado no bom senso.

Começo pelo título do post: “Quinta é dia de jantar dançante”

Jantar dançante? Aqueles em que aquela sua tia de 56 anos, solteirona, vai pra beliscar um franguinho no óleo e tentar arranjar um solteiro tão imbecil quanto ela pra poderem ter um “relacionamento aberto” e quiçá irem ao Karaoké de mãos dadas achando que tem 13 anos? Sim, esses mesmos. Ok! Porém, não sei se o queridão autor do post pensou nisso, mas o título de um texto remete à parte mais importante do texto. O leitor desavisado lê o título e pensa “Meu Deus! As baladas em Curitiba estão caminhando para o posto de jantares dançantes”. Pois é. E outra, se é pra falar de jantar dançante, porque não citou o famoso Gato Preto, onde temos a oportunidade de comer uma costela e dançar ao som de músicas que marcaram época.. época da revolução de 30. Francamente!

Continuemos. Descendo um pouco a página, vemos fotos de duas garotas, de uma dupla sertaneja e DELES.. BONDE DO TIGRÃO. Eles não merecem muitos comentários. Na verdade, não merecem nenhum comentário. Próximo!

Descendo mais um pouco, temos um texto falando sobre um pagodinho maroto no Thá na Cuca, famoso reduto dos jogadores de futebol que são chegados.. digamos.. num pileque dos brabos. Adoram matar treino para apreciar o molejo das piriguetes curitibanas. Meu time tem e o seu também, com certeza!

Logo abaixo, temos uma foto de duas garotas no tal do “Armazém Universitário”. Nunca ouvi falar, graças a Deus. Até que as duas garotas não são de se jogar fora. Mesmo assim, não dá pra deixar de notar uma japa nega. Lógico que a cor morena da pele é fruto de 45 horas por semana de sol escaldante, mas mesmo assim sempre é divertido ver um exemplar de uma japa nega.

Eis a famosa "Japa nega" 

Pulamos o Sorriso Maroto no Curaçao, pulamos a exposição Caminhos do Paraná no SESC e pulamos o comunicado da ABRABAR. Agora, meus queridos leitores que agora estão lendo. Começa o ápice, o ponto alto, a cereja do bolo dessa análise crítica.

De cara, como uma bala de revólver entrando pelo seu crânio e estourando todo o seu cérebro em migalhas, temos uma foto de três senhoras se divertindo horrores no jantar dançante (sempre ele!) da Sociedade Universal. O nome da sociedade vem bem a calhar. Universal, porque temos três seres habitantes de Marte.



Logo depois, temos o anúncio de uma festa no Atenas Palace. Esse:

“Você gosta de dançar tem um encontro marcado hoje, a partir das 21h, com a ‘Banda New Style’. E amanhã, a atração será o grupo ‘Sorriso Lindo’. E no sábado e no domingo, muita animação ao som da ‘Banda Enigma’”

O que Curitiba tem na cabeça de inventar esses nomes pras bandas? Banda New Style, Banda Enigma, Sorriso Lindo. Porra, Sorriso Lindo? É muita falta de culhão. Tem que tocar a vida inteira no Atenas Palace pra aprender. Animais!

Desça mais um pouco, passe pela foto dos 4 tiozões, passe pelo anúncio do Celebrare e da Sistema X e chegue a foto de Bárbara e Francielle, que estão curtindo a animada noite eletrônica da Danceteria Apotheose.

Só esqueceram de avisar a moça de preto que o “ponta-direita” tava querendo aparecer também. Porra, imagine a arcada dentária dessa infeliz, se com a boca fechada o canino aparece. Fora o trenzinho que tá fazendo na amiga e a marca preta no braço. Alguém deve ter apagado o cigarro no braço da moça. Parabéns, Bárbara!

Por último, para não me alongar muito, desça até a foto da Simone Rocha, a moça de rosa “agitando na programação country e sertaneja do Rancho Brasil”.

Linda, sensual e com duas marcas de molhado no vestido. Uma abaixo do cinto preto e outra na famosa “Zona do Agrião”. Olha, minha querida Simone, não sei o que tu pensas da vida, mas eu já pensei umas 17 maneiras de você ter se molhado desse jeito. O que a sua mãe vai dizer quando ver essa foto? “Minha filha, aparecendo na coluna social com o vestido molhado? Que vergonha!”. Abre o olho, Simone.

Enfim, tenho mais 1000 coisas para comentar desse texto do Paraná Online, mas prefiro que vocês notem sozinhos e dêem risada descobrindo novos achados da noite curitibana.

Se você tem amigos de fora da cidade, essa é a hora de chamá-los para passar uma breve temporada na cidade e conhecer lugares onde tudo pode acontecer.

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O link que inspirou toda essa palhaçada foi indicado pelo grande Felipe Gollnick, mentor do site Defenestrando. Acessem e fiquem interados sobre a música curitibana atual.

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PS: Isso é apenas uma brincadeira. Se você se sentiu lesado ou humilhado por qualquer comentário dito aqui, venha falar comigo. Porém, lembre-se, sua imagem foi exposta e você deixou. Mas ninguém lê isso aqui mesmo….

“As Curitibanas”

Inspirada no sucesso da mini-série “As Cariocas”, que está sendo exibida pela Rede Globo, a RPCTV apresenta a mini-série “As Curitibanas”.

Serão 10 episódios, independentes entre si, cada um protagonizado por uma atriz e situado em um bairro diferente de Curitiba. Veja um resumo de cada um deles:

  • 1° episódio: “A Obesa de Santa Felicidade” - Andréa (Regina Duarte) é uma italiana apaixonada pelo marido. Porém, ele não quer mais saber de sexo com ela, afinal ela pesa 187kg devido a sua dieta a base de polenta do Madalosso e vinhos Campo Largo. Mas uma intoxicação alimentar causada por um frango do Dom Antônio que estava frito faziam 13 meses, mudam a vida da velha gorda. Ela faz uma bem sucedida cirurgia de redução do estômago com o famoso médico Félix Dandara (Dado Dolabella), perde mais de 130kg e com muita força de vontade se torna a primeira pessoa a fazer a travessia do Mar Morto a pé.
  • 2° episódio: “A Maloqueira do Parolin” - A vida de Claudinete (Vera Fischer) não é das mais fáceis. Morando no meio da favela do Parolin, ela divide sua vida entre a venda de balas no sinal e os momentos de reflexão literária no Bar do Juca, com leituras de Dostoievski e Goethe, além de discussões sobre o existencialismo com os drogaditos da região. Assim, ela tira os moradores da região da drogadição, faz uma revolução e torna o Parolin independente do resto do país, transformando a recém-formada “República Federativa do Parolin” no país com o maior IDH do mundo.
  • 3° episódio: “A Anã do Bairro Alto” - Se o Bairro é alto, Francisca (Maísa) não é. Com seus 45 anos e 1,02m de altura, Chica está cansada de ser chamada de “Jardineira de Bonsai” e “Salva-vidas de aquário” pelos habitantes do bairro. Até conhecer Cáceres (Fábio Jr.), dono de um circo que estava de passagem pelo afastado bairro da cidade, que gruda as pernas de Chica à duas pernas-de-pau. A partir dali, sua vida mudou. Ela se transformou na maior atração do circo e virou uma estrela mundial. Mesmo assim, suas noites eram tristes, por saber que nunca arranjaria um marido capaz de amá-la sem as pernas-de-pau.
  • 4° episódio: “A Sem-terra do Sítio Cercado” - Fabíola (Guilhermina Guinle) é uma ex-integrante do MST que se muda do interior do Tocantins para Curitiba vislumbrando melhorar sua vida. Procurando uma moradia, se interessa pelo nome do bairro, já que adorava invadir sítios cercados por grades e cabeças de gado. Ali, conhece uma pessoa especial. Horácio (William Bonner), um foragido da APAE que vê em Fabíola apenas uma coisa: suas unhas sujas de terra. Fabíola, sedenta de amor pelo rapaz, decide retomar a velha vida de sem-terra, convocando milhões de mendigos e invadindo o bairro, o transformando em “Sítio Sem Cercas Com Ideias De Reforma Agrária”.
  • 5° episódio: “A Beata do Cristo Rei” - Todo domingo, Creusa (Ana Maria Braga) batia ponto na Igreja do Cristo Rei. Sua imagem de santa era famosa pela cidade, já que sempre estava presente às missas do padre Jorge Luis (Marcio Garcia). Era uma católica fervorosa e dava de dedos em quem ousasse falar mal da Igreja ou do padre, cujas missas não perdia. O que ninguém sabia era que a beata e o padre tinham um caso amoroso de anos. Ninguém sabia, até os dois serem pegos em flagrante, pelados e besuntados em azeite de oliva extra-virgem no estacionamento do Super Dip que fica ao lado da Igreja. Pecado!
  • 6° episódio: “A Desempregada da Cidade Industrial” - Alana (Rebeca Gusmão) não consegue arranjar emprego. O que causa estranheza, pois vive na região industrial da cidade. Decide então começar a boicotar as entrevistas de emprego de todas as indústrias. “Se eu não trabalho, ninguém trabalha”, diz a jovem. O que no começo era uma diversão, acaba se tornando um martírio. Sem trabalhadores, as indústrias fecham e todos começaram a fazer o que podem para sobreviver, inclusive Alana, que acaba se tornando prostituta em um cabaré em Rondônia.
  • 7° episódio: “A Socialite do Batel” - Yasmin (Fernanda Paes Leme) tem 24 anos e já é uma das gran-finas mais importantes da cidade. Divide seu tempo fritando os cabelos loiros na Liqüe e participando dos esquentas magníficos nas mansões mais disputadas da cidade. O que ninguém sabe é que a patricinha vende produtos da Natura nos bairros mais afastados da cidade durante o dia e só se alimenta porque vive roubando salgados do Angeloni. Consegue dinheiro e roupas para se mostrar para os playboys fazendo favores sexuais pro seu vizinho, Alfredo (Antônio Fagundes), um aposentado do Banestado que não tem a perna esquerda.
  • 8° episódio: “A Demente do Boqueirão” - Juliana (Mulher Melancia) era conhecida na região por ter sérios problemas mentais. Uns dizem que ela sofreu um traumatismo craniano que a deixou débil mental. Outros juram que ela nasceu assim. Mas o que ninguém sabe é que toda essa tristeza começou quando ela percebeu que não conseguia diferenciar onde era Boqueirão e onde era Carmo. Vive perambulando pelo terminal do Carmo, achando que está no do Boqueirão. Apaixonada pelo mendigo Feijuca (Jô Soares), ela cometerá um erro que jamais será perdoado.
  • 9° episódio: “A Radialista do Pilarzinho” - Quando Joyce (Gisele Bündchen) se formou em Jornalismo e foi trabalhar na principal rádio da cidade, achou que sua vida estava ganha. Porém, nunca imaginou que pra subir do cargo de repórter para o de apresentadora, teria que fazer o famoso “Teste do Sofá” com o chefe da rádio, Denilson (Fiuk) que tem 78 anos e um Cancro Mole que fede a 6 km de distância. O que será que Joyce irá fazer? Apresentar o programa mais importante da rádio ou viver como repórter para sempre? Só o cancro sabe a resposta.
  • 10° episódio: “A Velha do Capanema” - Gorete (Dercy Gonçalves) tem 98 anos e uma saúde de ferro. Faz triatlon, judô e luta MMA fazem 13 anos. Porém, a jovem idosa tem um sério problema de memória. Gorete passa suas noites no viaduto do Capanema, olhando para o estádio “Durival Britto E Silva” e torcendo para o extinto Colorado, jurando que o time é deca-campeão paranaense, nos últimos 10 anos. Os ouvidos da velha ecoam com os barulhos do trem, que ela ainda chama de Maria-Fumaça. Mesmo com esse problema, vive paquerando Olavo (Ulisses Guimarães), que já morreu há 45 anos.


“As Curitibanas”. Todo domingo, a partir do dia 02.01.2011, na Revista RPC. Produção deste que vos fala e de Marcelo Wilinski (@celotas). Não percam!


seria muita pretensão
pensar que teria sua companhia
apenas pelo que diz que sente

seria muito desaforo
dizer que queria sua companhia
só por ter

seria muita tristeza
sentir o que penso que sinto
e o que você não quer que eu sinta

seria muito, se ainda fosse

O tango sem nota - Parte II

Dizem que uma dor só passa com outra maior. Se isso for realmente verdade, então acho que terei que me machucar de um jeito um pouco exagerado. É díficil sentir uma dor que não é constante. Não é constante, mas quando resolve dar as caras é praticamente fulminante. Quando os olhos embaçam sem serem encostados, fica uma sensação de desprendimento. Parece que flutuamos. As pernas somem. Parece que caimos. O coração grita. Parece que não estamos mais ali. A cabeça foge pro infinito. Acho que uma das piores coisas que existem é ver o que foi seu e o que tanto gosta ser de outro.

Mais uma perda. A mesma perda! É como se tivesse dividido-a em mil pedaços, todos com o mesmo afeto. Vou perdendo-a aos poucos. Já perdi faz muito tempo. Se formos sentar e raciocinar logicamente, o que eu faço agora é uma besteira sem tamanho. Vomito palavras sem sentido por um sentimento tão sem sentido quanto. Mas eu não quero perceber a tamanha imbelicidade que é isso. Tanto tempo depois e parece que eu a conheci ontem. Conheci quem? Se eu nem mesmo me conheço.

Quero sair por aí e gritar aos quatro cantos desse mundo que o que eu sinto não é besteira. Que um, dois, três anos não são muito. Que cada lágrima que escorre não é em vão e que nunca, mas nunca na minha vida, eu terei outro abraço mais confortável que o dela. Mas isso tudo é lixo! Dos mais podres e fétidos lixos.

Raiva inocente. Não, raiva adulta. Daquelas que transtornam, que nos fazem perder o juízo e cometer os mais banais dos delitos. Raiva que consome, como os meus pensamentos a noite. Se soubessem o que eu penso durante a noite, entenderiam porque eu tenho insônia.

Dizem que uma dor só passa com outra maior. Um tango, por favor!

O tango sem nota - Parte I

           Logo que levantei, percebi que aquele dia seria diferente dos anteriores. E eu tinha motivos para isso. Sabe aquelas coisas que só acontecem uma vez na sua vida? Aconteceram todas no mesmo dia. Ainda sentia aquele gosto áspero de cerveja quente na boca. Talvez devesse começar a escovar meus dentes antes de me deitar embriagado. Ou não. O leve toque da minha língua em meu céu-da-boca me fazia lembrar de tudo aquilo que havia acontecido na noite passada. Meu braço arranhado também. Aliás, nunca um arranhão doeu tanto. Esperava isso há tempos.

            Segundos que duraram anos. Sentir aquela mão pequena entrelaçar a minha com vontade me levava pra qualquer lugar que eu quisesse. Aquele olhar alterado pelo álcool, o mesmo olhar de quando nos beijamos pela primeira vez. Realmente eu não estava ali. Eu estava viajando, com destino ao passado. Naquele momento, e só naquele momento, eu presenciava meus próprios pensamentos. Eu estava vivendo meus desejos. Ela sussurrava besteiras sem sentido no meu ouvido, fazendo meu tímpano entrar no compasso das batidas do meu coração. E a cada gole de cerveja, mordia o copo com vontade, como sempre fez quando ficou bêbada. Ficamos o tempo todo nos sentindo. Estávamos dançando um tango sem música, sem platéia. Éramos somente eu e ela. Nem parecia que estávamos a quase um ano e meio separados. Parecia que éramos namorados, no melhor estilo “Romeu E Julieta”. Amor proibido. A vontade de nos beijarmos novamente era insustentável.

            Novamente? Era como se eu nunca a tivesse beijado. Queria provar aqueles lábios, só pra ver se eram bons mesmo, como o meu passado dizia. Não ouvia nada, não falava nada. Todos os meus sentidos foram desligados e transferidos para minha visão. Só tinha olhos, e eram para ela. Ficava olhando aqueles gestos exagerados, a risada sem fim, a falha na sobrancelha (ela diz que é o charme dela). Queria voltar no tempo.

             Levantei, calcei o meu chinelo e fui até a cozinha. A tontura me ajudou a bater duas vezes na parede. Tomei um suco de maçã que já estava lá fazia alguns dias, só para tirar o gosto de cerveja da boca. Pensei no beijo que eu deveria ter dado, tomei mais um gole de suco e fui escovar meus dentes.

São apenas devaneios

O passado. É tão presente